A Associação em Defesa dos Direitos e Garantias do Povo de Rondônia (ADORO), presidida pelo advogado Jesuíno Silva Boabaid, manifesta publicamente seu repúdio ao posicionamento atribuído ao deputado estadual e vice-governador eleito de Rondônia, Rodrigo Camargo (PODEMOS), durante debate na Assembleia Legislativa envolvendo a liberdade política dos trabalhadores.
A discussão teve início após a deputada estadual Cláudia de Jesus (PT) denunciar a existência de uma mobilização de pessoas que estariam incentivando empresários a demitir funcionários que votaram no candidato Luiz Inácio Lula da Silva.
Em resposta, segundo o relato do debate, o deputado Rodrigo Camargo afirmou que os empresários têm o direito de contratar e demitir quem desejarem, acrescentando que seriam eles os responsáveis por decidir o destino de seus empregados.
A ADORO considera preocupante que uma discussão sobre possíveis demissões motivadas por escolhas eleitorais receba uma resposta que possa ser interpretada como tolerância à discriminação política no ambiente de trabalho.
É importante esclarecer que o poder de direção do empregador não é absoluto. A liberdade de contratar e dispensar trabalhadores deve respeitar a Constituição Federal, a legislação trabalhista e a proibição de práticas discriminatórias.
O artigo 5º da Constituição Federal protege a igualdade e a liberdade de consciência, enquanto o artigo 7º assegura direitos fundamentais aos trabalhadores. A Lei nº 9.029/1995 também estabelece mecanismos de proteção contra práticas discriminatórias nas relações de trabalho.
Nenhum empresário é dono da consciência, da dignidade ou do voto de seus funcionários. O trabalhador vende sua força de trabalho, não sua liberdade política!
A entidade também considera necessário refletir sobre a responsabilidade ética de representantes públicos que professam valores cristãos. A fé, independentemente da religião, deve ser compatível com o respeito à dignidade humana, à justiça e à solidariedade.
Não se questiona o direito de qualquer parlamentar professar sua religião. O que se espera é coerência entre a defesa pública de valores cristãos e o respeito aos trabalhadores, especialmente àqueles que dependem de seus salários para sustentar suas famílias.
Ser cristão não pode ser apenas uma declaração pública de fé. O respeito ao próximo, à dignidade humana e às famílias trabalhadoras também precisa estar presente nas atitudes.
A ADORO destaca que a liberdade de manifestação política deve ser respeitada tanto por quem votou em Lula quanto por quem votou em qualquer outro candidato. A defesa dos direitos fundamentais não pode depender de preferências partidárias.
Diante da gravidade do tema, a associação defende que eventuais denúncias de demissões discriminatórias sejam investigadas pelo Ministério Público do Trabalho e demais órgãos competentes, garantindo-se a proteção dos trabalhadores e o devido processo legal.
A democracia não termina nas urnas. Ela também precisa existir dentro das empresas, nas relações de trabalho e no respeito às diferenças políticas.
A ADORO continuará defendendo os direitos e as garantias do povo de Rondônia, independentemente de partido político, ideologia ou condição econômica.
PORTO VELHO/RO, 28 DE OUTUBRO DE 2026.
DR.JESUÍNO SILVA BOABAID
Presidente da ADORO





